CHARLIE BROWN E O ROMANTISMO*

Posted on junho 19, 2008

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O dia dos namorados é sempre fonte de surpresas. Nem sempre boas, é verdade, mas no mínimo interessantes. Aquele namorado frio e distante aproveita para expressar de alguma forma o seu amor. O marido apaixonado encontra mais uma maneira de conquistar a sua esposa. As mulheres desenvolvem a sua criatividade a níveis estratosféricos para celebrar a preciosidade de um dia dedicado ao amor. Suspiros para todos os lados, e um sorriso ingenuamente “bobinho” marcam aqueles que estão despertando agora para a paixão, curtindo o seu famoso “primeiro amor”.

Nada mais contextualizado do que pensar este doce momento, e tudo o que ele envolve, a partir das Escrituras, nossa regra de fé e prática (e por que não dizer de romance também?).

O dia dos namorados era sempre uma tragédia para o Charlie Brown. Romântico incurável, alimentava a esperança, ano após ano, de que “aquela garotinha ruiva” lhe enviasse um cartão. Enviava religiosamente suas cartinhas de amor, na expectativa de ser correspondido. Nada acontecia.

A decepção do Charlie pode ser a de muitos, mas uma de suas maiores lições está no reconhecimento do valor e da importância do romantismo, bem como a pureza de um relacionamento. Não podemos ir muito longe na análise do desenho, pois o Charlie não chegou a namorar a garotinha, mas a sua postura nos revela elementos interessantes, que podemos completar com o ensinamento bíblico.

Para o dono do Snoopy, a valorização do outro era algo importante. A criança apaixonada se preocupava com o objeto do seu amor. Mais do que isso, tal valorização pode ser percebida de suas ações concretas: cartas de amor, presentes (os tradicionais bombons de chocolate), e a observação constante para saber como a amada recebia tais demonstrações. Esta é uma ênfase bíblica. A valorização do outro é elemento importante nos relacionamentos. A ordem para os homens apaixonados, por exemplo, é que amem suas esposas e as valorizem como Cristo dá valor à Igreja.

O Charlie tem profunda esperança, e demonstra acreditar no amor. Enquanto tantas pessoas hoje colocam o amor à prova, e outras dizem que ele nada mais é do que uma palavra, o exemplo do desenho animado é uma forte resistência. O amor é real, e esta verdade é reafirmada pelas Escrituras. A marca do amor deve estar presente nos relacionamentos dos jovens namorados, dos noivos, dos que casaram há pouco, e daqueles que contam em décadas o seu tempo de casamento. Há esperança verdadeira, porque Deus dá a garantia de que o amor é real. Existe a possibilidade de nossos sonhos e expectativas relacionais serem realizados, conforme a vontade de Deus, porque o projeto do Senhor para o homem e a mulher é que eles estejam acompanhados um do outro.

A pureza nos namoros, noivados e relacionamentos precisa ganhar ênfase por ocasião destes dias (e em todas as outras épocas). Com a redução das pessoas a algo menos do que “humanas”, e a coisificação do corpo – o processo pelo qual o corpo do homem ou da mulher, se torna mero objeto, normalmente utilizado para o prazer d@ parceir@ – é de grande necessidade resgatar a mensagem sobre a pureza nos relacionamentos.

Não é somente pela AIDS, nem pelos índices de gravidez na adolescência. Não é pelo que vão falar na vizinhança ou na rua. Não é nem mesmo pelo que você pode sentir – culpa, arrependimento, etc. -, mas pelo projeto de Deus para o ser humano. A pureza faz parte do plano inicial para os relacionamentos, e assim, aqueles que não caminharem neste sentido, desvirtuam o sentido do seu namoro, noivado, casamento, pecam contra o Senhor, e perdem a possibilidade de satisfação real e prazer de verdade no exercício do amor.

Sejam estes dias de resgate do garoto Charlie Brown em nós. Dias para se viver romanticamente, com direito a flores, chocolate, poemas, e tudo aquilo que demonstra ser a outra pessoa especial, para que Deus seja glorificado no sucesso de relacionamentos verdadeiros.

Soli Deo Gloria.

*Editorial publicado no informativo de minha Igreja, relacionado ao contexto do dia dos namorados.

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