Uma nota de esperança

Posted on novembro 6, 2008

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Eu não poderia fechar os comentários sobre a “ignorância jovem cristã” a respeito de sua história, sem indicar pontos positivos e caminhos para a transformação. Volto ao evento do sábado.
Ninguém soube me dizer o nome de cinco reformadores. Tragédia imensa. Mas outros brindes seriam oferecidos – agora eram livros – e novas perguntas viriam. Mais ainda, não acertaram os cinco, mas acertaram três. Uma jovem respondeu quando diminuí o número de reformadores e ganhou a camisa.
Joguei a segunda pergunta ao auditório como quem bate um tiro de meta: “Alguém sabe mencionar os ‘cinco solas’ ou ‘cinco somente(s)’ da Reforma?”. Nem tinha terminado a pergunta quando um jovem levantou a mão e começou a responder, rápido como quem corre de uma briga: “Sola Fide, Sola Gratia, Sola Scriptura, Solus Christus e Soli Deo Gloria!”. O cara respondeu em latim. Abri o sorriso mais “reformado” que possuo e entreguei o livro, muito satisfeito.
Emendei a última pergunta – o relógio me olhava com uma agressividade terrível – sobre a freira que se tornou esposa de Lutero. Várias pessoas gritaram o seu primeiro nome, mas foi uma garota (as mulheres, novamente) no fim do auditório quem disse a identificação completa. Levou o último livro.
No meio da amnésia degenerativa, alguns focos de resistência se levantam. Enquanto as jovens massas são levadas pela “cultura gospel” ou mesmo por outras culturas anti-cristãs (lembro-me agora das trocentas pessoas que ousam defender o namoro entre cristãos e incrédulos com a seriedade de um teólogo), existem jovens que sabem afirmar os cinco solas em latim, e sabem apresentar o seu significado em bom português.
Mais do que isso: no contexto da apatia jovem (perdoem a repetitividade desta palavra no texto, mas sinto que preciso bater tantas vezes quanto puder neste termo – até que ele quebre e possa ser encontrado algum fragmento de significado real), existem pessoas realmente comprometidas com Deus, Sua Palavra e Sua Igreja.
Enquanto me envergonho das massas, não canso de admirar indivíduos que lêem a Bíblia sedentamente, oram com fidelidade, perguntam e discutem a realidade a partir da cosmovisão cristã, e carregam as marcas dos verdadeiros discípulos de Cristo.
Enquanto denuncio os cristãos nominais que nem sabem o que é a justificação pela fé (como alguém pode se dizer cristão sem conhecer o conteúdo da justificação pela fé? – eu disse o conteúdo, e não a expressão…), encorajo os meus irmãos e irmãs que são chamados de fundamentalistas pelas posturas sérias que possuem. Admiro, elogio, e reconheço os caras rejeitados pelos grupinhos populares por guardarem a sua fé e não negociarem os princípios das Escrituras.
No meio da multidão confusa existem, se não 7.000, pelo menos uns 70 joelhos não dobrados diante da apatia. Para a glória de Deus.
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