117 anos da morte de Charles Haddon Spurgeon

Posted on janeiro 31, 2009

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Em 31 de Janeiro de 1892, Spurgeon faleceu. O pastor do Tabernáculo Metropolitano foi encontrar o Sumo Pastor.

Charles Haddon Spurgeon nasceu em 19 de Junho de 1834, em Kelvedon, Essex, Inglaterra. Tendo família cristã1, foi educado sob as Escrituras, e preparado para amar a Jesus. Sua conversão, contudo, aconteceu apenas em 1850 (6 de Janeiro), quando o garoto tinha 15 anos.

Seu novo nascimento se deu de forma inusitada2. Uma tempestade de neve obrigou o jovem a se abrigar em uma igreja Metodista em Colchester. A mesma tempestade não deixou o pastor daquela igreja chegar lá. Então um simples e iletrado irmão3 abriu a Bíblia em Isaías 45.22: “Olhai para mim e sereis salvos, vós todos os termos da terra”. Spurgeon foi profundamente envolvido por aquele texto, e a partir dali passou a viver para Jesus.

Apenas um ano depois, em Outubro de 1851, ele se tornou pastor da Capela Batista de Waterbeach, em Cambridge. Em Abril de 1854, passou três meses em um período probatório, pregando na New Park Street Chapel (Capela da Rua do Novo Parque4), e foi convidado para pastorear aquela Igreja. Havia uma considerável responsabilidade naquela tarefa: não apenas pelo fato de Spurgeon ter apenas 19 anos no período, mas porque aquela igreja havia sido pastoreada pelo grande teólogo batista John Gill. O grande prédio com capacidade para 1.200 pessoas era ocupado por pouco mais de 1005.

Charles Spurgeon iniciou um notável ministério naquele lugar. Deus o abençoou e usou de tal maneira, que aquele prédio vazio não pôde comportar o número de pessoas que apareciam para cultuar a Deus ali. Em 18 de março de 1861 foi inaugurado o Tabernáculo Metropolitano – o novo prédio da igreja, com capacidade para 12.000 pessoas.

O ministério do “príncipe dos pregadores” – como foi chamado – foi amplamente abençoado por Deus. Através dos seus sermões, escritos e seu instituto para a preparação de pastores, ele pôde servir a Jesus e à igreja com eficiência.

Ele foi casado com Susannah e teve dois filhos (gêmeos) – Charles e Thomas.

Em sua lápide está o versículo de sua conversão – Isaías 45.22.

PONTOS DE MINHA ADMIRAÇÃO POR SPURGEON

Como o propósito deste post é uma síntese da vida e influência de Spurgeon, tenho que me ater a um ou dois pontos.

O primeiro item a destacar é o amor dele por Jesus. Spurgeon era apaixonado pelo Mestre. Percebe-se da sua pregação e dos seus escritos, bem como de suas aulas, uma devoção profunda e um coração inteiramente dedicado ao Senhor. Ele servia à igreja por amor ao Mestre, pastoreava pessoas por causa do Senhor, ensinava, orava, e vivia com base em Cristo e Sua obra completa. O que pode parar um cristão que ama verdadeiramente a Jeová?

Em segundo lugar, destaco o “calvinismo batista” do pregador. Ele era um batista calvinista, e não se envergonhava disto. Spurgeon é a prova de que ser batista e ser reformado não é nenhuma contradição – pelo contrário, é o que faz, realmente, sentido. Ele pregava direta e abertamente do púlpito a sua fé na obra completa de Jesus, a eleição e predestinação que O Senhor operou por sua Livre Graça, e a absoluta soberania do Pai.

Já escrevi neste blog que muitos batistas querem honrar Spurgeon como pregador de sua denominação, mas escondem o fato de ele ser um calvinista. Um dos pontos mais evidentes da força de sua pregação era a crença na soberania de Deus.

Ele afirmou: “A antiga verdade que Calvino, Agostinho e o apóstolo Paulo pregaram é a verdade que eu também devo pregar hoje; do contrário deixaria de ser fiel à minha consciência e ao meu Deus. Não posso remodelar a verdade; desconheço tal coisa como lapidar uma doutrina bíblica. O evangelho de John Knox é o meu evangelho. Aquilo que trovejou por toda a Escócia precisa trovejar novamente por toda a Inglaterra”6.

Em outro sermão, declarou abertamente: “Minha opinião é que não é possível pregar a Cristo crucificado, a menos que não preguemos também o que hoje em dia se chama calvinismo. O nome calvinismo é só apelativo; o calvinismo é o evangelho e nada mais7.

Sobre a morte de Jesus, afirmou: “Creio (…) que o propósito da morte de Cristo deve ser cumprido. Não posso crer que Cristo ficará desapontado. Creio que todos aqueles a quem Ele veio salvar serão certamente salvos. Todos aqueles que Seu Pai Lhe deu virão a Ele. Todas as pessoas que foram escolhidas em Cristo antes da fundação do mundo serão ressurretas no último dia. Todos os membros do ‘corpo de Cristo’ serão um com Ele na ressurreição. Algumas pessoas crêem que pode haver um Cristo desapontado. Eles crêem que a morte de Cristo foi parcialmente em vão porque nem todos serão salvos. Não posso crer nisso. ‘Nem uma unha’ de todos que Ele adquiriu será deixada para trás8.

Tais citações são justificadas apenas para demonstrar como o vigor evangelístico e a força da pregação são diretamente associadas ao calvinismo, ao contrário do que muitos afirmam. Concluo com duas citações.

Se alguém me perguntasse o que eu quero dizer com ser um calvinista, eu lhe responderia: ‘É alguém que diz que a salvação é do Senhor’ 9.

Lembro-me de um irmão arminiano me dizer que havia lido toda a Bíblia várias e várias vezes e que não havia sido capaz de encontrar a doutrina da eleição nela. Ele acrescentou que estava certo que a teria encontrada se ela estivesse lá, pois ele costumava ler as Escrituras de joelhos. Eu disse a ele: ‘acho que você lê a Bíblia numa posição muito desconfortável; se você a tivesse lido sentado numa cadeira estofada, teria tido mais possibilidade de compreendê-la. Ore de todas as maneiras e quanto mais melhor, mas é um tanto supersticioso acreditar que haja algo de especial na posição na qual um homem se coloca para ler. Quanto a ter lido a Bíblia vinte vezes sem ter encontrado nada sobre a doutrina da eleição, é suficiente para que me admire que você tenha encontrado coisa alguma nela; deve ter galopado sobre ela com tal velocidade que, provavelmente, não pode ter nenhuma idéia inteligível do significado das Escrituras10.

Hoje se completam 117 anos da morte do grande pregador. O meu desejo é que Deus continue a levantar homens assim em nosso meio.

4Conforme a tradução do livro “O Spurgeon que foi esquecido”, publicado pela Editora PES.

6Citado em Sermões do ano do Avivamento, de Spurgeon, publicado pela editora PES, p.6..

7Sermões do ano do Avivamento, p.18

8Sermões sobre a Salvação, PES, p.70.

9Verdades Chamadas Calvinistas: uma defesa, PES, p.10.

10Ibid., pp.7,8.

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