Vivendo a leitura

Posted on julho 31, 2009

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Nada mais real do que a imaginação. Especialmente quando ela salta das páginas de um livro. No universo paralelo das letras e construções virtuais/imaginárias acontecem eventos de uma naturalidade absurda.
Vejam vocês: enquanto eu lia “a tragédia da Guanabara”, era tomado por admiração, surpresa, e compaixão dos calvinistas missionários que vieram à nossa pátria. Mas logo a figura de Villegaignon ficou cada vez mais abjeta, e despertou em mim um processo de rejeição e ódio poucas vezes percebido.
Eu fiquei com raiva daquele personagem que se foi pelo menos alguns séculos antes de eu nascer. Tomaria aquele patife virtual em meus braços e o faria sofrer por sua traição e perseguição aos ministros.
Claro que isso não é a melhor coisa de se sentir, nem a se escrever por aqui. Defendo o amor ao próximo, o perdão, etc, etc. Apenas afirmo que vivi tudo isso enquanto lia tais páginas.
Esta madrugada a cena foi semelhante: Lia a sofrida história de uma garotinha maltratada, e logo me vi ranzinza e mal-humorado pelo que fizeram a ela. Consigo me ver deitado com a cara feia, resmungando algumas coisas enquanto o sono me tomava aos poucos.
Entrei em um estado de espírito/humor característico de um animal selvagem. Mas a beleza da coisa é que eu estava só – apenas eu, o livro, e o meu universo imaginário.
O que eu queria dizer é que as leituras têm esse poder de despertar e alterar minha percepção das coisas, levando-me a viajar nas suas histórias e a participar de suas tramas como mais uma das personagens do texto.
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