Não me venha só com coisas boas de 2009

Posted on dezembro 30, 2009

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Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco (1Ts.5.18)

Um dos sinais mais interessantes de maturidade é a capacidade de encarar os eventos ruins como negativos, e ainda assim ter a certeza de que estavam nos decretos de Deus.

Os imaturos trabalham de duas maneiras: (1) ou vêem apenas o ponto negativo e a ele dão todo o espaço, vivendo em lamúrias e murmurações, queixas incessantes que ninguém aguenta mais ouvir; ou (2) tentam sublimar o ponto negativo, deixando de falar nele e ressaltando apenas as outras coisas boas, para ver se pelo silêncio o mal some.

Os momentos de transição de ano são ótimos para percebermos este fenômeno. Há quem viva a se queixar de 2009 – destacando tudo o que houve de ruim, e falando apenas das lutas, como quem não tem sonhos, esperança, ou alegria.

O outro extremo, contudo, parece ser mais visível neste período: muitos são os que ignoram as lutas e dificuldades de 2009, falando apenas do que foi bom e suave. Os sorrisos plásticos são montados na última quinzena de dezembro, e os buracos na máscara de felicidade são tapados com a hipocrisia recebida de presente no natal.

Contra essas duas abordagens imaturas, pretendo louvar a Deus pelo que houve de ruim em 2009. Foi um ano de lutas, certamente.

Logo em Fevereiro precisei lidar com um esgotamento físico e ministerial que, de alguma maneira, influenciou o resto do ano. Foi um ano para encarar o desânimo, ser decepcionado e decepcionar, viver lutas emocionais, lidar com a minha impaciência e mediocridade, abrir mão de aspectos nos quais me percebi fracassado, tentar encorajar e inspirar pessoas com a nítida percepção de que o esforço não surtiu efeito, pra citar algumas dificuldades.

Percebo tudo isso como coisas ruins e difíceis do período que agora termina. E ainda assim estou aprendendo a lidar com elas. Quero considerar os pontos difíceis de 2009, e não ignorá-los. Não quero ser hipócrita e dizer que algo mal foi bom (embora em algum aspecto possa ter sido), mas sei que posso e devo ser agradecido por ele.

Quero ser lúcido o suficiente para dizer “Deus, está sendo, ou foi difícil”, mas ao mesmo tempo reconhecer: “obrigado porque todas as coisas cooperam para o bem daqueles que Te amam (Rm.8.28)”.

E, no fim das contas, vamos encontrar esse dilema da vida cristã frequentemente: encarar o mal, sem perder a esperança.

Que 2010 traga as suas alegrias e tristezas, para a glória de Deus.
Soli Deo Gloria.

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