BBB10 – como preparar a sua cabeça para o "nada"

Posted on janeiro 13, 2010

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Acabo de assistir ao primeiro episódio do Big Brother Brasil 10*. Provavelmente agora os leitores se dividiram em dois grupos: (1) os que assistiram, e assim criaram alguma identificação comigo, e (2) os que não assistiram e agora pensam que eu sou um idiota.

Não pretendo assistir o resto do programa – eu normalmente não tenho paciência nem para assistir um episódio inteiro – mas este primeiro já revelou algumas tendências a serem pensadas por quem precisa lidar de alguma maneira com as discussões que seguirão sobre o programa.

1. As variedades sexuais serão apresentadas cada vez mais como belas e agradáveis

Dessa vez não existe apenas um homossexual na casa. São pelo menos três, sendo uma lésbica. Além disso, há uma bissexual – todos devidamente apresentados desta maneira no primeiro episódio do BBB.

A idéia será a mesma: ao demonstrar que gays, lésbicas, bissexuais, etc., são semelhantes aos homens e mulheres heterossexuais no sentido de que partilham de sentimentos, apaixonam-se, sofrem por amor, etc., etc., o público será persuadido de que tais variações sexuais são não apenas aceitáveis, mas até mesmo belas sob aquele ponto de vista.

A charge do desenhista apresentou os mascotes do big brother em sua versão masculina e feminina, e um novo – com as cores do arco-íris (simbolizando um homossexual) – que se aproximava dos outros dois e os abraçava. Eis o recado dado sem meias palavras.

2. A relativização será apresentada e defendida

A figura de um advogado na casa trouxe a pergunta sobre “a verdade”. A resposta dele foi que, quanto à verdade, “depende da interpretação”. O apresentador do programa complementou, afirmando que “se a regra fosse clara, não seriam necessários juízes, etc.”, como se apenas a clareza de uma norma tornasse a sua aplicação automática (típico de quem desconhece a corrupção da humanidade por causa do pecado).

Uma relativização epistemológica inevitavelmente gera a relativização moral. E assim é possível “prever” o que vem daquela casa.

A desculpa de que há grande variedades de culturas e origens diferentes continuará a ser usada para defender o relativismo moral. Será que cola?

3. Os relacionamentos humanos serão banalizados e avaliados superficialmente

Como parece ser a regra do programa, os indivíduos “na caixa” ou “no aquário” continuarão sendo observados como macacos em um circo ou peixes na sala de estar. Enquanto as massas se divertem assistindo àquele microcosmo relacional, os exemplos de traição, promiscuidade, mentira, etc., etc., serão apenas objeto do entretenimento popular. Além disso, as multidões brincarão novamente de “psicólogos populares”, e debaterão nas ruas sobre os casos observados na tela.

4. As baboseiras comunitárias e socializantes serão ensinadas

Mal começou a “brincadeira” e já se percebem os clichês. Um personagem bate no peito e se orgulha de ser “o negro” da casa. Outro tenta defender a honra dos “pés vermelhos”. E assim os grupos – ou classes – vão se formando: os homossexuais, os negros, os nordestinos, …

Ninguém mais é tratado com base em sua individualidade, ou a partir de seus méritos e deméritos pessoais. Pelo contrário, o fato de alguém ser negro lhe dá o direito de ser honrado entre os outros. Por quê? Ninguém sabe… O mesmo acontece com os nordestinos: em vez de buscarem a integridade pessoal, preferem se esconder atrás do discurso de que foram menos favorecidos por nascerem em tal região. Não ha espaço para conquistas pessoais, é o grupo ou a classe que torna alguém bom ou mal.

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Por fim, como podem ver, o BBB até gera pensamentos profundos, e pode ser analisado em mais de dois parágrafos. Cabe a nós filtrarmos o que vamos assistir, ou como vamos utilizar os diálogos surgidos a partir deste programa, para comunicarmos a verdade imutável.

*Embora esteja escrevendo agora, logo após o programa, este post será publicado apenas amanhã.

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