a Caneta: Poesia

Posted on junho 25, 2010

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Inaugurando a seção “a Caneta”, começo com uma poesia minha.
Explico, novamente, que esta seção trata de uma produção cultural cristã. Aqui será o espaço de textos “não-teológicos” no sentido direto, e outras expressões como poesia, música, vídeo, fotografia, etc.
Acredito que, além de falar sobre uma cosmovisão cristã, precisamos demonstrar como uma cosmovisão cristã trabalha “na prática”.

A poesia abaixo trata da dinâmica do conhecimento humano. Enquanto todos se conhecem superficialmente nos círculos sociais, provavelmente existem círculos mais restritos, nos quais as máscaras que usamos diante dos outros caem, e somos verdadeiramente conhecidos. Quando as nossas fraquezas são conhecidas, somente a Graça torna possível o sucesso dos relacionamentos.

As ilustrações são da pintora norte-americana, Constance Pierce.

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Companhia

Eu te vejo
quando ninguém mais
perto está
de contemplar
o tom que traz
o teu desejo

Eu contemplo,
além da cor
e dos murais,
os teus sinais
e o pavor
do mal exemplo

Eu sinto a falta
do brilho intenso
que logo some,
manchando o nome,
de tão imenso
vigor que trata

Eu sei quem és,
mais que ninguém
e o que te faz
perder a paz,
pois não deténs
teus próprios pés

Vi-te prostrado,
sem piedade –
o resultado patético
de um esquema ético
de maldade
e desagrado

Eu conheço,
mais que as fotos
e os textos,
os defeitos
dos prounciados votos
por teu beiço

Eu caminho
ainda ao teu lado
no exercício eterno
de abandonar o inverno
que deixaria desolado
quem tenta sozinho

Mas assim vivo
a estação com quem
sustenta os sóis,
e cuja voz
fielmente mantém
meu amor ativo.

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