Um Ano de ministério pastoral ordenado: memórias

Posted on maio 23, 2011

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Há um ano eu era ordenado na Igreja Batista Renascença – um momento chave em uma caminhada de dúvidas e certezas.

Apresentado, por meus pais,
na Igreja Batista Getsêmani

Nasci em um lar cristão, filho de pastor batista de linha conservadora. Quando criança, ousei afirmar que desejava ser pastor – mais pelo desejo de imitar o meu pai do que qualquer outra coisa. Lá pelos seis anos de idade creio ter sido salvo por Jesus. Eu, que ouvia o meu pai fazer “o apelo” todo domingo (lembrem-se: era uma típica igreja batista tradicional: a Igreja Batista Getsêmani – em São Luís), acabei por crer em Jesus no terraço de minha casa. Obviamente a coisa não é tão pontual quanto parece, mas uso aquela noite em que chamei minha mãe para orar comigo como um marco de conversão. Creio que tive minha primeira visão da vida do pastor na velha casa 66, da Rua 17, do Cohatrac IV. Eu não tinha discernimento para muita coisa, mas ver o meu pai pregando aos domingos deve ter produzido algum impacto, ainda que eu não o saiba identificar claramente.

Desenvolvendo o ministério de pregação
– Buriti de Inácia Vaz (MA)

A adolescência chegou, e então eu abandonei a idéia do ministério pastoral. Permaneci ativo e comprometido com a igreja – e naquele período comecei algum tipo de ministério virtual, usando os serviços de hospedagem gratuitos, estudando html e criando uma página na internet para escrever alguns pensamentos –, mas daí a ter envolvimento mais profundo com a vida de um pastor havia longa distância. Lembro de ser tomado pelo senso de que o ministério pastoral era grande demais para mim.

Aproximando-me dos 17 anos de idade, descobri as doutrinas da graça. Essa foi uma espécie de “segunda conversão” – uma transformação radical no modo de compreender as coisas de Deus. A minha visão de igreja nunca mais foi a mesma. E com tal descoberta, o interesse por teologia veio com toda a força. Lembro-me de, enquanto os amigos de escola anunciavam o que cursariam na universidade (medicina, direito, …), eu abria um sorriso e apresentava a minha escolha: teologia! Estudei comunicação (sem concluir), e obtive graduação em direito, mas o centro de minha reflexão em todo esse período foi a formação teológica.

Acampamento de Jovens da
Segunda Igreja Batista em Teresina

Mesmo no seminário, ainda resistia à idéia de ser pastor. Fui questionado várias vezes sobre o motivo de estar ali, e a resposta era sempre a mesma: “não pretendo ser pastor, mas sei que desejo servir em alguma coisa na igreja”.

A essa altura, eu já estava sendo treinado na Igreja Batista Monte Carmelo (eu já não estava mais na igreja onde nasci). Aprendi que eu deveria desenvolver outras potencialidades além da área musical:  ali comecei a dirigir cultos e a pregar. Sou eternamente ao Pr. Cleomárcio Lima por isso.

Por questões familiares – e por acreditar ser um movimento sábio e útil –, tornei-me membro da Igreja Batista Renascença, onde permaneci por aproximadamente seis anos. Ali tive a experiência de um ministério colegiado. Comecei a servir auxiliando a equipe pastoral, em um tipo de ministério pastoral não ordenado, porém não clandestino. Enquanto realizava as atividades de coordenação de ensino, liderança de Pequenos Grupos, pregação, etc, ainda lutava com a idéia de me tornar “oficialmente” pastor.

 A Convenção Batista Maranhense
me examinou teologicamente

Mas tive um vislumbre da graça de Deus e percebi que estava olhando para o lugar errado. Eu media o ministério pastoral a partir de minha estatura “espiritual, intelectual, emocional, …”. Obviamente eu nunca estaria pronto para aquilo! Até que entendi: a medida não era “Allen Porto”, mas Deus, Sua graça, e Seu chamado. Avaliando os requisitos básicos (escriturísticos) do caráter do líder, rendi-me à vocação do Senhor, e topei o desafio.

Enquanto estava na IBR eu fui mentoreado por pessoas inesquecíveis em minha caminhada. As conversas com os Prs. Alzugaray Pinheiro, Vanduides Cristovam, Mike Nichols, Carlos Henrique e Nonato do Monte contribuíram em muito para o esclarecimento de questões, bem como para a compreensão da vida de um pastor.

Imposição de mãos do presbitério
(na Igreja Batista Renascença)

Foi assim que, há um ano, a igreja (que já me chamava de pastor) pediu minha ordenação. Passei pelo tradicional rito do exame teológico, tendo sido aprovado, e, no dia seguinte, o culto ao Senhor contou com um momento de imposição de mãos do presbitério, e com ele minha devida confirmação no ministério pastoral.

Tendo vivido por 25 anos na Igreja Batista, passei a considerar as transformações em minha teologia, e fui me alinhando com uma visão da aliança, do culto, e de outras áreas, nos moldes de irmãos próximos, da Igreja Presbiteriana do Brasil. A essa altura, já havia passado pelo que chamo de minha “terceira conversão” – a descoberta de Francis Schaeffer, Abraham Kuyper, Herman Dooyeweerd, etc.: uma forma diferente de enxergar a realidade integralmente. (Em outra ocasião falo sobre as minhas “três” conversões).

Ministro da IPB

Recebi o convite da IPB e o aceitei. Assim, em dezembro de 2010 passei por outro exame teológico – agora presidido por pastores presbiterianos – e, aprovado novamente, fui recebido no Presbitério Leste do Maranhão, e designado para a Igreja Presbiteriana do Renascença.

Desde então, tenho servido a Deus e aos meus irmãos daquela igreja, bem como trabalhado na plantação da Igreja Presbiteriana do Araçagy – um projeto de igreja reformada, educativa, missional, contemporânea e pressuposicional. (Também em outra ocasião explico isso). Estou ao lado de grandes amigos e companheiros de ministério, como o Rev. Ilmar Almeida, o Rev. Cleomárcio Lima (o mesmo da IB Monte Carmelo), o Rev. Adenauer Lima, o Rev. Emilio Azevedo, e o Rev. Diogo Inawashiro. Não apenas tenho amigos de ministério, mas uma companheira e auxiliadora, dada por Deus para a vida de pastor. O ministério começa em casa.

É cedo demais para fazer qualquer avaliação mais profunda. Já tenho algumas histórias para contar – boas e ruins – da atuação como pastor, mas este é só o começo.

Um dia eu precisei aprender que o ministério se sustenta apenas quando eu não estou no centro. Peço a Deus que conserve em mim esta visão até o fim.

Soli Deo Gloria.

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