Notas sobre liderança

Posted on novembro 29, 2011

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Cada vez tenho mais o feeling de que não é papel do líder projetar a “visão” ou o que o valha. Cabe a ele indicar a direção, e isto basta.
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Tenho visto líderes cristãos que projetam uma visão e buscam alcançá-la a despeito das pessoas de sua igreja. Ora, qualquer “visão” para a igreja que desconsidere o “material” de que ela é feita – pessoas – não é senão um instrumento de sua destruição, e assim, mais uma “visão” demoníaca do que obra de Deus.
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Nada contra líderes buscarem ferramentas técnicas a fim de aprimorar suas habilidades de gerenciamento, comunicação, planejamento, etc; mas, por óbvio que pareça a coisa tem que ser dita: a ferramenta fundamental do líder é a Sagrada Escritura e a teologia que dela brota. Por ser uma obra essencialmente do Espírito Santo, a liderança bíblica perdoa falhas técnicas e o uso de terminologia não-especializada; perdoa as dificuldades de gerenciamento e o fato de não se usar planilhas ou algo do tipo; mas a perspectiva saudável sobre um líder não perdoa a falta de conhecimento e vida conforme as Escrituras. Por isso, se em algum momento for necessário optar por uma das coisas – e eu espero que esse momento não chegue em sua vida – escolha a Escritura e a Teologia sem titubear.
Um ótimo técnico sem a Palavra lidera pessoas, na melhor das hipóteses ao nada, e na pior, ao inferno.
Um técnico não tão bom, mas cheio da Palavra, lidera pessoas segundo a sabedoria do alto.
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Também acho que ignorar ferramentas úteis de operacionalização do trabalho é bobagem. E vejo que os reformados fazem isso em nome de preservar “boa teologia”, como se esta fosse ameaçada por aquela. E isso me incomoda um pouco, pois vejo eventos como o Global Leadership Summit, organizado por Bill Hybels e Willow Creek, que vende sob o título de “liderança” materiais como o de T.D. Jakes, que tem causado alguma controvérsias por seu credo e suas declarações com relação à doutrina da Trindade, e o das “pastoras” e “reverendas” que por lá passam.
Não me entendam mal, não sou de todo contra o evento. Pessoas boas já passaram por lá, como Tim Keller. Provavelmente há alguma palestra boa no evento deste ano. Mas se trata de auto-sabotagem (com a licença do novo acordo ortográfico) deixar de lado as lições mais essenciais sobre liderança (no caso de um pastor, fidelidade à Escritura – a doutrina da Trindade é uma das questões fundamentais para se definir um cristão; e no caso de uma “pastora” ou “reverenda”, ignora-se ou se viola diretamente o ensino bíblico a respeito dos papéis na igreja). Como um evento pretende falar sobre liderança se não demonstra conhecer ou respeitar o “abc” dela?
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Ao mesmo tempo, tenho muita esperança nos líderes que Deus levanta. Isto se dá, basicamente, porque a esperança está em Deus, e assim se desdobra sobre os Seus chamados. Deus continua a pastorear a Sua igreja, e a capacitar pessoas com poder do alto para servir a igreja. A promessa e os desdobramentos do evangelho nos alimentam de fôlego e ânimo para encontrar gente comum, com dificuldades e lutas, mas sendo talhada e trabalhada para conduzir pessoas.
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Tudo isso me fala sobre o realismo bíblico. Não há utopias sobre “líderes perfeitos”, e nem cinismo do tipo “acabou a liderança”. Há pessoas reais, em um mundo real, afetado pela queda, mas também pela redenção.

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