Livros BJC: Creio (Michael Horton)

Posted on maio 7, 2012

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HORTON, Michael. Creio: redescobrindo o alicerce espiritual. São Paulo: Cultura Cristã, 2000.

Recomendado.

O que um documento tão antigo quanto o Credo Apostólico teria a ensinar para a igreja contemporânea? Este é o desafio encarado por Michael Horton, professor de Teologia Sistemática e Apologética no Westminster Seminary, em Escondido, California.

De fora para dentro, o livro é pouco atraente. Sua capa é desinteressante e pouco criativa, embora se tenha tentado preservar algo do estilo da capa original (também feia). Isto precisa ser mencionado, porque enquanto não aprendermos a expressar beleza e criatividade na capa de nossos livros, o conteúdo da obra é prejudicado na medida em que há descompasso entre beleza de conteúdo e feiúra de formato. Além disso, são muitos os que “julgam o livro pela capa”, e assim deixam de comprar a obra por sua estética enfadonha.

Em termos de diagramação, tradução e revisão, a obra caminha melhor. A diagramação segue um padrão anterior da editora Cultura Cristã, com alguma diferença nos experimentos tipográficos, especialmente no início de cada capítulo. Uma possibilidade interessante seria deixar mais espaço nas bordas para quem utiliza o recurso de escrever enquanto pesquisa. O texto de Horton não é naturalmente dos mais leves – aprendi isso ao ler “a face de Deus” – mas a tradução não torna a leitura mais complicada, de modo que qualquer cristão pode ler, e os mais recentes seriam beneficiados por uma segunda leitura.

A crítica sobre capa e diagramação não tira o brilho do conteúdo da obra. Horton destila sua erudição e conhecimentos históricos e bíblicos ao longo de cada capítulo com maestria e forte apelo aos cristãos. Utiliza o velho padrão de categorizar o credo apostólico em 12 artigos e segue tal roteiro em sua explanação.

Capa original

Merece destaque a propriedade com a qual o autor transita entre várias áreas durante o tratamento dos pontos teológicos. No capítulo introdutório, por exemplo, Horton trabalha com poetas como John Donne, Yeats e T. S. Eliot; interage com autores como C. S. Lewis, Richard Hofstadter, G. K. Chersterton, e menciona bastante a Bíblia. Esta será uma constante ao longo da obra – interação com vários autores, percepção aguçada das ciências sociais e crítica fina a partir da Bíblia.

Entre as maiores contribuições da obra está o fato de o autor trabalhar cada artigo do credo a partir da história ampla da redenção. Cada ponto é situado no contexto abrangente das Escrituras, dando ao leitor um senso de coerência e continuidade bíblica visto em poucas obras populares.

Vale mencionar que a crítica de Horton não é direcionada apenas sobre as correntes extra-eclesiásticas, mas sua arma é também apontada para o cristianismo não-reformado e reformado. É difícil ler o material e não reconhecer falhas pessoais de compreensão e prática.

O ataque mais forte de Horton, contudo, está sobre o pensamento que busca descaracterizar a historicidade do cristianismo, e transformá-lo em uma espécie de sentimento privado e não-verificável. Neste ponto, bem como no pluralismo e relativismo que o fomenta e acompanha, o autor trabalha com vigor, desmascarando falsos argumentos e reivindicando a historicidade do cristianismo e a importância disto para a fé cristã. Declarar “eu creio” é mais do que afirmar um sentimento subjetivo, mas atestar a convicção de acontecimentos externos e concretos que fundamentam uma visão da realidade e um estilo de vida.

“O Cristianismo não não pode existir como uma opinião uma vez que é um clamor de verdade universal; verdade pública, não sentimento privado”. (p.63)

A obra é clara em sua centralização do evangelho e utilização da moldura conceitual da teologia do pacto. Para quem deseja perceber como a teologia aliancista fornece uma visão coerente das Escrituras e do mundo, este material é indispensável.

Finalmente, o livro é recomendado por tratar dos fundamentos da fé cristã de modo abrangente e denso – fornecendo análises e aplicações de grande apelo para crentes de diferentes estágios em sua caminhada com Deus.

Em uma era que rejeita formatos sólidos, instituições, dogmas e credos, este livro é bastante saudável.

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Posted in: a Caneta